domingo, 28 de setembro de 2008

O que esperar dos novatos (Parte 1)

Para os times, as Ligas de Verão e partidas de pré-temporada são importantes. Dá a oportunidade para que as franquias observem atletas jovens e de menor expressão, além de dar ritmo para tais jogadores, que nunca terão maior tempo de quadra do que na fase de preparação.

Por outro lado, para os torcedores, são potenciais momentos de enganação. A verdade é que é muito mais fácil se destacar neste momento. E o torcedor fica imaginando que aquele calouro que fez 40 pontos em um jogo é um futuro astro e/ou que o cara que nunca ouviu falar o nome pode ser uma boa contratação porque deu 15 assistências.

São níveis de competição diferentes, bem (bem mesmo) mais modestos do que os do basquete profissional. Existe um abismo entre jogar contra aquele cara que você enfrentou na NCAA, um outro que já jogou algum tempo na Liga de Desenvolvimento e o Kevin Garnett. Sempre foi e vai ser assim. Quando for diferente, estaremos com um problema.

Esperar que um novato vá bem é normal. A questão é o que se define como ir bem. O que eu tentarei fazer aqui é passar um panorama (ao máximo) realista do que você pode esperar do novato de primeira rodada da sua equipe, da função que ele terá/poderá ter dentro do time. De qualquer forma, você vai perceber, isso acaba um pouco influenciado pelas minhas opiniões sobre cada um.

Esta é a primeira parte da análise:


30. JR Giddens (Boston Celtics)
O Celtics selecionou Giddens sob a possibilidade de perder Sam Cassell para a aposentadoria e Eddie House para o mercado. Os dois vão voltar. Giddens passou a ser a quinta opção de armação do time, estando atrás de Rondo, Cassell, House e Gabe Pruitt. O destino do calouro será o mesmo que Pruitt teve em 2007-2008 – sem espaço, passou a maior parte do tempo na Liga de Desenvolvimento. Se entrar em quadra mais de 20 vezes na temporada, pode se considerar um vencedor.

29. DJ White (Oklahoma City Thunder)
O Thunder deu duas escolhas de segunda rodada para o Pistons, para garantir a seleção de White. Ele é um bom ala-pivô, experiente e pronto para a NBA. É visível que a franquia tem pretensões para DJ. Com certeza, estará na rotação de garrafão do time. Salvo uma série de lesões de outros atletas ou adaptação muito rápida, ficará no banco – mas não vai mofar por lá. White não será um craque, mas é um daqueles jogadores que podem ajudar de imediato.

28. Donte Greene (Sacramento Kings)
Ele teve espetaculares atuações nas Ligas de Verão, o que, como já disse, não significa que vá ser um gênio do basquete. A troca do Rockets para o Kings foi muito positiva – Greene deverá ter um papel muito importante na franquia de Sacramento. Pelo elenco, prevejo o ala como um dos principais jogadores do banco de reservas ou, até mesmo, um titular. Donte é muito talentoso, atlético e pontua com grande facilidade. Greene será valioso para o Kings.

27. Darrell Arthur (Memphis Grizzlies)
Darrell Arthur será de extrema valia para o Grizzlies. A rotação de pivôs do time é inexperiente e, em conseqüência, fraca. Inicialmente, o ala-pivô será reserva, mas vai ter um bom tempo de quadra. Ele é mais jogador do que os quatro companheiros – Milicic, Gasol, Warick e Ehadadi – e acredito que possa acabar a temporada como titular. Arthur tem físico desenvolvido, sabe arremessar e jogar dentro do garrafão. Mas, acima de tudo, terá espaço para mostrar todas as suas virtudes.

26. George Hill (San Antonio Spurs)
Hill entra em uma complicada briga pelo posto de reserva de Tony Parker. Esteve péssimo nas Ligas de Verão (acertou apenas dois de 25 arremessos, em três jogos). No entanto, os outros armadores também não empolgam: oscilam entre não-comprometer (Vaughn, Mason) e a inexperiência (Stoudamire, Farmer). A lesão de Ginobili favorece Hill, que é combo guard e compõem também na posição dois. Além disso, ele é o tipo de jogador atlético e explosivo que o veterano plantel texano carece. Acredito que possa ter um papel maior do que muitos esperam, mas precisa “vencer a seletiva”.

25. Nicolas Batum (Portland Trail Blazers)
Batum esteve muito mal nas Ligas de Verão, um rendimento que credenciava o retorno por mais um ou dois para o basquete europeu. No entanto, o time quis aproveitar a oportunidade e assinar logo. Certo seria mantê-lo por lá. Ele tem habilidade para ser um bom jogador na NBA, mas precisará de tempo para se adaptar. O desempenho fraco certamente vai limitar suas chances de jogo, ainda mais porque a rotação Outlaw/Webster será uma guerra – provavelmente, um deles não continuará na franquia para o futuro.

24. Serge Ibaka (Oklahoma City Thunder)
O pivô congolês ficará na Europa por mais um ou dois anos. É muito atlético, mas precisa de tempo para desenvolver mais suas habilidades. Ainda não está preparado. No momento certo, tem oportunidade de ser um pivô sólido dentro da Liga. Para uma franquia com tempo, como o Thunder, vale a pena esperar.

23. Kosta Koufos (Utah Jazz)
Certamente, Koufos não é o pivô defensivo que o Jazz precisa (e nunca será). Mas ele é um bom homem de garrafão – melhor do que Kyrylo Fesenko e Jarron Collins. A tendência é que o novato assuma, ao lado de Paul Millsap, o papel de dupla de suplentes de Mehmet Okur e Carlos Boozer. Na teoria, será o reserva do turco, pois tem um estilo ofensivo de jogo muito parecido com o de Okur. Não dá para pensar em um time do Jerry Sloan jogando com os dois juntos. Ele não é (exatamente) o que o Jazz procurava, mas será importante.

22. Courtney Lee (Orlando Magic)
Lee esteve muito bem na Liga de Verão, mostrando o que o Magic esperava: defesa agressiva e versatilidade ofensiva. Ele realmente pareceu uma versão melhorada de Maurice Evans – o que, porém, não lhe dará uma vaga entre os titulares. Pelo congestionamento da rotação de SGs da equipe – com Bogans, Pietrus e Redick –, é difícil definir quanto tempo Lee vai jogar. Certo é que, no sistema de quatro atletas abertos do treinador Stan Van Gundy, o ala-armador irá ganhar muitos minutos, porque o banco do Magic carece de alas.

21. Ryan Anderson (New Jersey Nets)
Hoje, o Nets tem sete jogadores de garrafão em seu elenco e Anderson não me parece ser o especial. Na boa Liga de Verão que realizou, deu uma mostra de quem é: um ala-pivô com bom arremesso, mas sem força física para desafiar os garrafões da NBA. Pelo que vi, é uma versão menos talentosa e versátil do chinês Yi Jianlian. Salvo uma grande mudança, Anderson não será titular. Se o asiático for, vai ser positivo para o novato: pelo estilo parecido, seria o substituto em potencial. Se não acontecer, o jovem é candidato forte à D-League – Eduardo Najera, Josh Boone e Sean Williams são mais capazes de dar ajuda imediata, já Ryan precisa “encorpar” mais.

20. Alexis Ajinca (Charlotte Bobcats)
O pivô francês deverá ficar mais tempo no basquete europeu ou na Liga de Desenvolvimento, aprimorando seu jogo. Sem dúvidas, a decisão certa. Ajinca é um talento, mas está muito “cru” e precisa melhorar. Ele ainda não é um grande destaque no panorama europeu, mas é esforçado e possui potencial.

19. JJ Hickson (Cleveland Cavaliers)
O Cavaliers coloca muita fé em Hickson, credenciado pelo ótimo rendimento na Liga de Verão. Ele é forte, inteligente e sabe pontuar. Mostrando empenho na defesa (algo básico), vai ser um dos pivôs que sairá do banco – o outro é Varejão – para substituir os titulares Zydrunas Ilgauskas e Ben Wallace. Dois veteranos, que poderão ser muito poupados. Em Cleveland, não faltará espaço para JJ atuar. Tudo conspira para que o novato inicie bem a carreira.

18. JaVale McGee (Washington Wizards)
Para mim, McGee ainda não está preparado para o basquete profissional. Tem talento e potencial, mas não tem rodagem. Não foi mal na Liga de Verão, mas também não se destacou. Com o retorno de Etan Thomas, é provável que o calouro seja incluído aos poucos no time, preenchendo as lacunas de tempo deixadas pela rotação Brendan Haywood/Thomas. É a forma certa de ir ambientando um atleta jovem como McGee. No entanto, acho que o seu destino deveria ser uma temporada na D-League.

17. Rot Hibbert (Indiana Pacers)
Hibbert é um dos meus novatos favoritos e o pivô mais preparado para jogar na Liga, considerando o “pacote” experiência e técnica. Seu papel no Pacers dependerá de como o treinador Jim O’Brien pretende dispor o time em quadra. Se jogarem correndo, o calouro não terá espaço. Em meia-quadra, será uma excelente e pronta opção para jogar. Jeff Foster, há anos em Indianapolis e profissional exemplar, será o titular e líder da equipe. É muito provável que Hibbert seja o seu reserva, com algo como 20 minutos por partida.

16. Marreese Speights (Philadelphia 76ers)
Na última temporada, o Sixers sentiu falta de um pivô com alta capacidade de pontuação. Speights tem este perfil, assim como Elton Brand. Pelo que vi do novato, ele tem um estilo (ofensivo) de atuar parecido com o do recém-contratado. Ou seja, deverá ser o reserva ideal. Com a séria contusão do secundarista Jason Smith, Speights perde um dos concorrentes por tempo de quadra. A tendência é que, junto com Reggie Evans e o veterano Theo Ratliff, Marreese reveze na substituição dos titulares Dalembert e Brand.

Um comentário:

Anônimo disse...

interessante :D