Trinta e seis. Segundo a lista de entradas do Hoopsworld, este é o número de atletas universitários que se inscreveram no próximo draft, até o momento. Lógico, a quantidade de elegíveis já é muito maior, pois esta lista não conta os seniors, ou seja, os jogadores que terminaram a Universidade e estão cadastrados no recrutamento automaticamente - sem precisar de nenhum manifesto oficial.
O prazo para que os jogadores que ainda não terminaram o ciclo universitário possam se inscrever é 26 de abril. Então, existe tempo suficiente para que muitos outros atletas anunciem sua intenção de presença no recrutamento - o que deve acontecer. No entanto, como já disse em uma postagem anterior, apenas estar na lista não obriga ou garante a participação no draft. O jogador pode retirar seu nome da relação até 15 de junho. Aquele que realmente tiver interesse em ser recrutado, até a mesma data, precisa oficializar a contratação de um empresário.
Ao assinar com um empresário, sua possibilidade de rescindir sua elegibilidade acaba - você está, obrigatoriamente, no draft. Dos 36 jogadores relacionados pelo Hoopsworld, apenas 16 possuem agentes - ou seja, já estão lá. Aqui vai meus comentários sobre alguns deles:
Chase Budinger (Arizona - SF)
Junior - 21 anos
Budinger é um ala atlético, explosivo e um exímio arremessador, com um bom conhecimento de todos os fundamentos. No entanto, sua defesa é fraca até para o nível universitário e não é capaz de criar seus próprios arremessos. Os recrutadores gostam da inteligência que Budinger mostra em quadra, mas questionam até onde seu jogo pode ser traduzido entre os profissionais. Dúvida que compartilho com eles. Sua conduta voluntariosa é uma virtude, mas também acusa a falta de instinto agressivo de Chase em relação à cesta. Acredito que ele pode ter uma carreira sólida na NBA como um especialista em arremessos, mas nada muito além disso. As comparações com Brent Barry são bastante pertinentes. Deverá ser selecionado no final da primeira rodada.
Earl Clark (Louisville - SF)
Junior - 21 anos
Clark é atleta e jogador de basquete por excelência, combinando um excelente conhecimento dos fundamentos do esporte com a explosão, envergadura e atleticismo ideais para se destacar entre os profissionais. Seu jogo em transição e capacidade de assumir múltiplas funções e posições em quadra é impressionante. Os recrutadores enxergam real talento de elite em Clark e amam sua versatilidade. No entanto, se preocupam muito com a sua inconstância e seu aproveitamento nos arremessos de média e longa distância. Além disso, há divergências sobre em qual posição Clark se encaixaria na NBA - por este motivo, as comparações são diversas. Mantenho firme que Earl passa-me a impressão de um Boris Diaw melhorado, especialmente se melhorar seu arremesso. Deverá ser um dos 15 primeiros escolhidos do recrutamento.
Tyreke Evans (Memphis - SG/PG)
Freshman - 19 anos
Credenciado por ótimas atuações na NCAA, Evans está deixando Memphis em muito por causa da saída do treinador John Calipari, que vai para Kentucky. O que mais impressiona em Tyreke é seu instinto ofensivo, agressividade em relação à cesta, maximizado por atleticismo e condição física de elite. Além disso, é um defensor melhor do que recebe crédito e cria oportunidades para si e seus companheiros. Embora exista muito entusiasmo em torno dele, é evidente que mais um ano universitário seria muito importante. Evans não tem um bom arremesso e "perde o controle" em alguns momentos, precipitando ataques. Embora seja PG de formação e precise da bola nas mãos para ser efetivo, muitos recrutadores questionam a capacidade do garoto em armar uma equipe profissional. Os números sustentam a dúvida: em 29 minutos por noite, dá apenas 3.9 assistências, contrabalanceadas por absurdos 3.6 erros de ataque. Na minha opinião, Evans tem dois caminhos: desenvolver suas habilidades de armação ou um arremesso mais consistente. Talento e potencial não faltam, mas ele está preso entre duas posições (SG e PG) e isso sempre prejudica ótimos prospectos. Compará-lo com Larry Hughes - como muitos estão fazendo - é superestimar seu arremesso e subestimar seu potencial. Rodney Stuckey e uma versão bastante melhorada de Mardy Collins são paralelos mais realistas. Vai ser difícil passar das 15 primeiras seleções.
Blake Griffin (Oklahoma - PF)
Sophomore - 20 anos
Neste momento, Blake Griffin é a indiscutível primeira escolha do recrutamento. O jogador mais dominante da temporada universitária (22.7 pontos e 14.4 rebotes) tem o pacote técnico, físico e atlético para causar impacto imediato entre os profissionais. Se existe um astro neste draft, ele é Blake Griffin. Ele possui um arsenal ofensivo vasto e muito eficiente, além de ser uma máquina de pegar rebotes. Áreas menos desenvolvidas do seu jogo, como a defesa e arremessos de média distância, mostraram evolução considerável durante a temporada. Como já disse, não vejo Blake anulando jogadores entre os profissionais, mas também não vejo ninguém anulando-o. Tem tudo para ser uma versão melhorada e mais agressiva de Carlos Boozer.
James Harden (Arizona State - SG)
Sophomore - 19 anos
Harden é um jogador à moda antiga. Sua altura, envergadura e atleticismo são apenas medianos em comparação com outros jogadores universitários e prospectos. No entanto, o sophomore tem uma compreensão espetacular da dinâmica do jogo e qualidade técnica muito acima da média. Apesar de ser um dos scorers mais eficientes do basquete universitário - capaz de pontuar de todos os pontos da quadra - ele também é capaz de criar oportunidades para seus companheiros. Seu jogo sempre está à serviço do coletivo e a capacidade defensiva de Harden é subestimada. É, provavelmente, um dos jogadores mais inteligentes e com o melhor senso de decisão entre os universitários. A fraca atuação no Torneio da NCAA e o alto número de erros de ataque (3.4 por jogo, em grande parte por seu questionável controle de bola) são as maiores preocupações dos recrutadores, o que passa longe de torná-lo uma escolha arriscada. Um Brandon Roy menos talentoso é um bom paralelo para o ala-armador de 19 anos. Harden tem boas chances de ser uma das cinco primeiras escolhas do draft.
James Johnson (Wake Forest - SF/PF)
Sophomore - 22 anos
Atleta por excelência com bom conhecimento dos fundamentos do jogo, James Johnson é um ala capaz de jogar e pontuar dentro e fora do garrafão. Sua capacidade ofensiva é digna do basquete profissional, ajudada pela eficiência do seu trabalho de pernas e surpreendente versatilidade no perímetro. Apesar de mostrar intensidade e empenho, o instinto ofensivo de Johnson costuma levá-lo a tomar decisões precipitadas e seu QI dentro de quadra é bastante questionável. Muitos recrutadores gostam da versatilidade do ala, mas sua habilidade de marcar em nível profissional é duvidosa, pois baseia-se mais em atributos físicos do que em fundamentos defensivos. Johnson não me empolga. As comparações com Ryan Gomes (que também nunca me empolgou) são bem pertinentes. Ele está previsto para ser selecionado na segunda metade da primeira rodada.
BJ Mullens (Ohio State - C)
Freshman - 19 anos
BJ Mullens vai para o basquete profissional por dificuldades financeiras. Este é um dos poucos motivos para argumentar sua elegibilidade, pois ele não está preparado para a NBA. Após uma temporada, o pivô não conseguiu sair da reserva de Ohio State. Apesar de ter a envergadura, atleticismo e força física necessários para causar impacto imediato entre os profissionais, BJ carece de base técnica e um jogo mais polido, especialmente na defesa. Além disso, ele precisa adquirir maturidade - dentro e fora de quadra. Mas o pouco tempo de ação também não deu a chance para que o pivô mostrasse seus bons instintos ofensivos e alguns eficientes recursos que possui no ataque. A decisão de precipitar a saída do basquete universitário trouxe comparações com Robert Swift, mas BJ é mais talentoso e, fisicamente, está mais pronto para a NBA. A maioria dos sites comparam Mullens com Chris Kaman, mas ele ainda não jogou o bastante para fazer valer paralelos. Mesmo com todos os poréns, os recrutadores sabem que um talento como Mullens, em um draft pouco estrelar como este, ainda vale uma escolha de primeira rodada - para um time que tenha a paciência de deixá-lo alguns anos com um bom tutor. Ele pode ser muito bom. E, segundo muitos treinadores, a maioria dos pivôs altos saem do high school mais preparados para o basquete profissional do que para o universitário.
DaJuan Summers (Georgetown - SF)
Junior - 21 anos
DaJuan Summers é outro ala atlético, explosivo e com um físico pronto para a NBA que pode jogar dentro e fora do garrafão. No entanto, com sua precisão nos arremessos, ele é um atleta muito mais adequado para o jogo de perímetro. Além disso, DaJuan reboteia e assistencia com mais propriedade do que as estatísticas evidenciam (médias de 4.1 rebotes e 1.3 assistências). Defensivamente, Summers sabe utilizar sua envergadura para atrapalhar os adversários, mas não é um especialista, embora os recrutadores enxerguem nele a qualidade técnica para que torne-se um especialista em defesa entre os profissionais. Embora arremesse com excelência, DaJuan não tem apurada capacidade de criar seus arremessos e desperdiça muitas posses de bola. Quando bem marcado, ele também costuma forçar arremessos e jogadas de baixo acerto. Deverá ser escolhido entre as escolhas 25 e 35. Pelo pouco que vi jogar, ele me lembra Wilson Chandler - até mesmo pela capacidade (desperdiçada) de ser um grande defensor.
Jordan Hill (Arizona - PF)
Junior - 21 anos
O terceiro ano no basquete universitário trouxe o salto de qualidade que Jordan Hill precisava para se consolidar como um prospecto confiável. Os recrutadores estão impressionados com a sua capacidade de rebotear (foram 11 por jogo, na última temporada) e fazer o "trabalho sujo", mas questionam a falta de força física do ala-pivô. No entanto, o seu pacote de envergadura, atleticismo e intensidade dentro de quadra provou-se muito eficiente para compensá-la. Hill também é um defensor sólido e jogador bastante competitivo. Seu jogo ofensivo ainda é pouco desenvolvido, mas possui alguns movimentos muito efetivos e seu alto potencial para finalizar próximo da cesta é traduzido pela média de 18.3 pontos que conseguiu na última temporada. Entre os profissionais, só precisa tomar cuidado com as faltas. Uma versão melhorada de Chris Wilcox é uma previsão bastante realista. Deverá ser uma das sete primeiras escolhas do draft.
Na lista, também estão cinco prospectos internacionais: o armador francês Rodrigue Beaubouis, o pivô do Níger Aboubakar Zaki, o ala francês Fernando Raposo, o ala israelense Omri Casspi e o ala montenegrino Vladimir Dasic. Os dois últimos têm boas chances de serem selecionadas na segunda rodada. No entanto, os principais prospectos estrangeiros esperados são o armador espanhol Ricky Rubio e o ala-pivô lituano Donatas Motiejunas.
Outros dois jogadores universitários estão garantidos no recrutamento: o ala-pivô Brandon Costner (North Carolina State) e o armador Daniel Hackett (USC). Ambos não devem ser selecionados. Por ter tirado passaporte italiano recentemente, é provável que Hackett esteja visando o basquete europeu, não a NBA.
sábado, 11 de abril de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
"Novidade" da Itália
Com o final da temporada regular, as negociações esquentam entre franquias e técnicos. Neste ano, as conversas devem ser ainda mais intensas, por causa das seis demissões que aconteceram ainda na primeira metade da temporada. E o nome mais comentado no mercado não é de um americano, mas o de Ettore Messina.
Hoje, rumores deram conta que o New Jersey Nets tentará a contratação de Messina. O treinador atual da franquia, Lawrence Frank, sofre grande resistência interna e existe a real possibilidade de não continuar no cargo. Ettore é o favorito disparado do GM Kiki Vandeweghe, que deverá receber autonomia para a escolha de um possível novo técnico. O Sacramento Kings, que demitiu Reggie Theus no início da temporada, também cogitou o nome de Messina, mas o interesse não vingou.
No entanto, a equipe que sempre mostrou o maior interesse na contratação de Ettore Messina é o Toronto Raptors. O GM do time, Bryan Colangelo, é um grande fã do basquete europeu - o que pode ser verificado pelo alto números de atletas europeus que passaram pela equipe canadense, nos últimos anos. Colangelo também é fã incondicional de Messina, que considera um espetacular comandante e o homem ideal para trabalhar com um elenco cheio de europeus.
O Kings, que passa por forte crise financeira, tem enorme interesse em contar com os serviços de Eddie Jordan (ex-Wizards) e, após a temporada, deve acerta com o treinador. O Raptors estuda a efetivação do interino Jay Triano, que recebe manifestações de apoio de todo o elenco, embora não tenha a confiança da maior parte da organização. Enquanto isso, o Nets pode se ver forçado a manter Lawrence Frank, uma vez que o técnico está sob contrato e, no caso de ser demitido, vai continuar sendo pago pelo Nets. Em tempos de crise, a franquia não quer pagar alguém apenas por força contratual.
Ainda não podemos esquecer que é muito difícil prever como será a adaptação de um treinador europeu na NBA, assim como sempre é a de um jogador. Ao invés de explicar esta parte, prefiro utilizar a explicação dada pelo técnico Mike Moreau, em um de seus recentes chats:
"Ele vai ter que se adaptar às regras e ao ritmo do jogo da NBA, assim como lidar com atletas de outros países e culturas. É um jogo diferente e a NBA é um mundo diferente".
De qualquer forma, se Ettore Messina disser que vai para a NBA, espere vários interessados - muito além de Nets, Kings e Raptors. Em uma Liga equilibrada, um comandante com vitalidade e vencedor pode fazer muita diferença. E este é o perfil de Messina.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Onde o futuro começa
Sobre o jogo, há pouco o que dizer. O treinador de MSU, Tom Izzo, chegou ao jogo final vencendo times superiores com estratégias de ação bastante sólidas, praticamente "moldando" sua equipe ao estilo de adversário. Contra Louisville - um time leve, cheio de alas e que joga com rapidez -, Michigan State utilizou o garrafão, truncou o confronto em ataques de meia quadra e encurralou o oponente com sua defesa impassível.
No final four, contra Connecticut, a equipe mudou de estratégia e atacou com muita velocidade, explorando a deficiência do adversário em partidas disputadas em transição. Sem aproveitar o contra-ataque, UCONN também ficou presa na marcação de meia quadra de Michigan State e caiu. Contra Carolina do Norte, que gosta de jogar em alta velocidade, era esperado que Izzo montasse um time que segurasse a bola e minasse a velocidade dos Tar Heels.
O esperado não aconteceu. Michigan State entrou no jogo com uma proposta de jogo rápido, na tentativa de explorar a questionável defesa de perímetro de Carolina do Norte. A estratégia não podia ser mais equivocada. UCONN impôs o seu ritmo e jogou da forma como gosta. Por outro lado, atuar com velocidade tirou a principal virtude da equipe de Izzo - a defesa de meia quadra. Com um dia particularmente ruim arremessando, Michigan State viu o adversário abrir mais de 20 pontos de diferença ainda no primeiro tempo. O jogo ficou definido.
Carolina do Norte campeã e Torneio da NCAA finalizado. Fim da história, certo? Errado.
Agora, os principais jogadores do basquete universitário começam a se posicionar sobre o draft da NBA - se vão ou não se inscrever no recrutamento. Os atletas têm até o dia 26 de abril para manifestarem sua decisão. No entanto, até o dia 15 de junho, existe a possibilidade de se tirar o nome da lista de elegíveis. Quem mantêm seu nome tem a data como prazo final para contratar um empresário - requisito necessário para se tornar profissional.
Muitos atletas colocam seu nome entre os elegíveis para conhecer o parecer dos recrutadores sobre seu jogo. Após ouvirem as opiniões, passam a trabalhar com base nos comentários, que sempre estão direcionados para sua preparação visando o basquete profissional. Ou seja, não há o que perder com o "blefe".
Como existem centenas de possíveis prospectos, dentro e fora dos Estados Unidos, é difícilimo acompanhar todos os rumores envolvendo cada atleta. A melhor forma de ficar atualizado sobre as decisões dos jogadores é pelo Hoopsworld, que fez uma postagem especial (e constantemente atualizada) com o nome dos universitários e estrangeiros que se inscreveram no recrutamento e se já possuem ou não empresário. Confira!
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Em algum lugar do Brooklyn
A maior parte do prejuízo não foi resultante das derrotas em quadra, falta de público, fracassos de marketing ou contratos de jogadores, mas pelo Atlantic Yards. Este é o nome do projeto que envolve a nova arena do Nets, que será construída no famoso bairro do Brooklyn. A arena será nova, mas o projeto não é - tem, pelo menos, dois anos de existência. Dois anos em que não passou de um projeto, de um monte de idéias e planejamento estratégico.
A forte resistência da população local, trâmites legais mal resolvidos e a incapacidade da franquia em atender todos os preceitos para a construção fazem com que o projeto "Atlantic Yards" não saía do papel. Com valor total estimado em U$4 bilhões e passando por constantes alterações, a arena dá um prejuízo violento para a franquia, mesmo sem ter movimentado um único trabalhador ou tijolo. Como diz o velho ditado, tempo é dinheiro.
A pressão não é apenas externa. Parceiros e seguradoras da franquia também exigem mais agilidade do processo. Para piorar, a crise financeira fez com que diretores do Nets ficassem reticentes com a obra. A questão afeta ainda mais as finanças da equipe porque o grupo Forest City Ratner, que desenvolve o "Atlantic Yards", é dono de 23% das ações do time. Ou seja, o clima está ruim para todos.
Quando se tenta obter informações sobre o assunto, duas posições são bem marcantes. Bruce Ratner, líder da Forest City Ratner, e os dirigentes do New Jersey Nets dizem que o projeto continua de pé e as obras estão prestes a serem iniciadas. Por outro lado, a imprensa local afirma que o "Atlantic Yards" não saí tão cedo, se for construído. Hoje, com certeza, só pode-se dizer que a franquia pretende levantar uma nova arena em algum lugar do Brooklyn.
Em tempo: Nova enquete no ar, sobre a briga para MVP da temporada. Dê seu voto!
Em tempo: Nova enquete no ar, sobre a briga para MVP da temporada. Dê seu voto!
sexta-feira, 27 de março de 2009
Sweet Sixteen – Primeiro dia
Ontem, o Torneio da NCAA iniciou as semifinais de divisão, com quatro partidas. Bons jogos e algumas situações surpreendentes marcaram o dia. Pude acompanhar todos os confrontos e aqui estão minhas impressões:
Divisão Oeste
(1) Connecticut 72
(5) Purdue 60
A trajetória da Universidade de Connecticut na temporada diz que, quando o gigante Hasheem Thabeet joga bem, a equipe vence. Ontem, Purdue não teve resposta para a grande noite do pivô e este foi um dos pontos fundamentais para o resultado final. Enquanto esteve em quadra, Thabeet foi soberano no garrafão e seu impacto foi muito além dos 15 pontos, 15 rebotes e quatro bloqueios que acumulou. Nos pouquíssimos momentos em que Purdue teve chances de emparelhar o confronto, acabou esbarrando no cárater de seu próprio ataque – muito intuitivo e pouco organizado.
(2) Memphis 91
(3) Missouri 102
Memphis era a minha aposta para ser campeão de divisão. No entanto, não há o que reclamar sobre a derrota de ontem, pois Missouri foi melhor em todos os aspectos do jogo – atacou e defendeu melhor, além de ter uma postura mais equilibrada em quadra. A defesa de Memphis encaixou-se em pouquíssimos momentos e os jogadores de Missouri (em especial, J.T. Tiller e DeMarre Carroll) atacaram a cesta com muita tranquilidade. Na ofensiva, a pouca distribuição de Memphis deixou a equipe nas mãos do ala-pivô Robert Dozier e do (ótimo) ala-armador Tyreke Evans – em contraste com o adversário, que teve seus cinco titulares com 13 ou mais pontos.
Divisão Leste
(1) Pittsburgh 60
(4) Xavier 55
Pittsburgh esteve muito próximo de perder para Xavier. No último minuto de jogo, duas cestas decisivas do armador Levance Fields proporcionaram a tomada de liderança e confirmação da vitória de Pittsburgh. A péssima atuação ofensiva de DeJuan Blair pode ser apontada como um dos motivos para os problemas contra o acertadinho, mas não ótimo, time de Xavier. Blair é o grande talento da equipe e não tem reservas de qualidade comparável. Quando ele não está bem, Pittsburgh perde considerável força. Sem Blair, Pittsburgh perde seu grande diferencial. No fim das contas, o excelente trabalho defensivo e o “gás” final de Fields deu a vitória para Pittsburgh. Mas, contra Villanova, outro baixo rendimento de Blair deverá marcar o fim da linha.
(2) Duke 54
(3) Villanova 77
No meu bracket, apostava que Villanova chegaria ao Elite Eight. Eu tinha sérias dúvidas sobre como Duke reagiria a um jogo como este: contra uma equipe que, efetivamente, agredisse sua defesa, forçando o time de Mike Krzyzewski a pontuar. Ontem, em quadra, Villanova disparou no placar, atacando com sua qualidade e ímpeto habituais. Duke foi forçada a pontuar e correr atrás, contra uma defesa sólida e bem postada, e seu elenco não teve de onde tirar forças. Os três principais jogadores do time (Gerald Henderson, John Scheyer e Kyle Singler) acertaram nove de 45 arremessos tentados, com quatro para 21 da linha de três. Os times de Coach K são fantásticos na defesa, mas ressentem de um ataque mais poderoso e insinuante, o que ficou claro na partida de ontem. Quinta vez consecutiva que Duke não chega ao Elite Eight.
Por outros compromissos, não poderei acompanhar as partidas de hoje, mas acredito que Louisville, Oklahoma, North Carolina e Michigan State saiam vencedores. Porém, o único em que apostaria minhas fichas de olhos fechados é North Carolina.
Divisão Oeste
(1) Connecticut 72
(5) Purdue 60
A trajetória da Universidade de Connecticut na temporada diz que, quando o gigante Hasheem Thabeet joga bem, a equipe vence. Ontem, Purdue não teve resposta para a grande noite do pivô e este foi um dos pontos fundamentais para o resultado final. Enquanto esteve em quadra, Thabeet foi soberano no garrafão e seu impacto foi muito além dos 15 pontos, 15 rebotes e quatro bloqueios que acumulou. Nos pouquíssimos momentos em que Purdue teve chances de emparelhar o confronto, acabou esbarrando no cárater de seu próprio ataque – muito intuitivo e pouco organizado.
(2) Memphis 91
(3) Missouri 102
Memphis era a minha aposta para ser campeão de divisão. No entanto, não há o que reclamar sobre a derrota de ontem, pois Missouri foi melhor em todos os aspectos do jogo – atacou e defendeu melhor, além de ter uma postura mais equilibrada em quadra. A defesa de Memphis encaixou-se em pouquíssimos momentos e os jogadores de Missouri (em especial, J.T. Tiller e DeMarre Carroll) atacaram a cesta com muita tranquilidade. Na ofensiva, a pouca distribuição de Memphis deixou a equipe nas mãos do ala-pivô Robert Dozier e do (ótimo) ala-armador Tyreke Evans – em contraste com o adversário, que teve seus cinco titulares com 13 ou mais pontos.
Divisão Leste
(1) Pittsburgh 60
(4) Xavier 55
Pittsburgh esteve muito próximo de perder para Xavier. No último minuto de jogo, duas cestas decisivas do armador Levance Fields proporcionaram a tomada de liderança e confirmação da vitória de Pittsburgh. A péssima atuação ofensiva de DeJuan Blair pode ser apontada como um dos motivos para os problemas contra o acertadinho, mas não ótimo, time de Xavier. Blair é o grande talento da equipe e não tem reservas de qualidade comparável. Quando ele não está bem, Pittsburgh perde considerável força. Sem Blair, Pittsburgh perde seu grande diferencial. No fim das contas, o excelente trabalho defensivo e o “gás” final de Fields deu a vitória para Pittsburgh. Mas, contra Villanova, outro baixo rendimento de Blair deverá marcar o fim da linha.
(2) Duke 54
(3) Villanova 77
No meu bracket, apostava que Villanova chegaria ao Elite Eight. Eu tinha sérias dúvidas sobre como Duke reagiria a um jogo como este: contra uma equipe que, efetivamente, agredisse sua defesa, forçando o time de Mike Krzyzewski a pontuar. Ontem, em quadra, Villanova disparou no placar, atacando com sua qualidade e ímpeto habituais. Duke foi forçada a pontuar e correr atrás, contra uma defesa sólida e bem postada, e seu elenco não teve de onde tirar forças. Os três principais jogadores do time (Gerald Henderson, John Scheyer e Kyle Singler) acertaram nove de 45 arremessos tentados, com quatro para 21 da linha de três. Os times de Coach K são fantásticos na defesa, mas ressentem de um ataque mais poderoso e insinuante, o que ficou claro na partida de ontem. Quinta vez consecutiva que Duke não chega ao Elite Eight.
Por outros compromissos, não poderei acompanhar as partidas de hoje, mas acredito que Louisville, Oklahoma, North Carolina e Michigan State saiam vencedores. Porém, o único em que apostaria minhas fichas de olhos fechados é North Carolina.
domingo, 22 de março de 2009
Torneio da NCAA - Sweet Sixteen
Depois dos jogos deste domingo, os 16 melhores times do Torneio da NCAA já foram definidos. Para uma edição em que se esperavam muitas surpresas, as coisas estão bem mornas. Das equipes classificadas, só uma não está entre as cinco melhores rankeadas de sua divisão – a Universidade do Arizona, 12ª colocada do ranking prévio do Meio-Oeste. Duas das quatro divisões (Sul e Leste) têm as quatro instituições melhores posicionadas no rankeamento prévio como semifinalistas. Ou seja, apesar de algumas “zebras” em rodadas anteriores (a vitória de Cleveland State sobre Wake Forest, Dayton sobre West Virginia), elas não conseguiram exercer grande influência na disputa com a chegada das etapas mais derradeiras.
Mesmo Arizona não pode ser considerada uma total surpresa, já que, embora não tenha tido uma temporada brilhante, sempre foi uma das equipes mais talentosas da NCAA. E, além disso, a surpreendente vitória de Cleveland State sobre Wake Forest evitou que Arizona confrontasse a terceira rankeada da divisão, na segunda rodada. Se há algo que posso me orgulhar nas minhas previsões, no bracket da ESPN, foi ter apontado Arizona como um dos times presentes no Sweet Sixteen – mesmo que, no meu encadeamento, teriam vencido Wake Forest para chegar a este ponto, não Cleveland State.
Desta forma, vamos aos confrontos das semifinais de divisão:
Meio-Oeste
(1) Louisville
(12) Arizona
(2) Michigan State
(3) Kansas
Oeste
(1) Connecticut
(5) Purdue
(2) Memphis
(3) Missouri
Leste
(1) Pittsburgh
(4) Xavier
(2) Duke
(3) Villanova
Sul
(1) North Carolina
(4) Gonzaga
(2) Oklahoma
(3) Syracuse
Até quinta-feira, quando começam as partidas que definem o Elite Eight, pretendo aparecer por aqui para dar meus palpites. No entanto, não posso garantir nada. Meu computador deverá precisar de uma reformatação e odeio lan houses. Além disso, tenho alguns compromissos ligados à minha formatura. Mas espero aparecer por aqui para não ficar apenas “em cima do muro” sobre os jogos.
Mesmo Arizona não pode ser considerada uma total surpresa, já que, embora não tenha tido uma temporada brilhante, sempre foi uma das equipes mais talentosas da NCAA. E, além disso, a surpreendente vitória de Cleveland State sobre Wake Forest evitou que Arizona confrontasse a terceira rankeada da divisão, na segunda rodada. Se há algo que posso me orgulhar nas minhas previsões, no bracket da ESPN, foi ter apontado Arizona como um dos times presentes no Sweet Sixteen – mesmo que, no meu encadeamento, teriam vencido Wake Forest para chegar a este ponto, não Cleveland State.
Desta forma, vamos aos confrontos das semifinais de divisão:
Meio-Oeste
(1) Louisville
(12) Arizona
(2) Michigan State
(3) Kansas
Oeste
(1) Connecticut
(5) Purdue
(2) Memphis
(3) Missouri
Leste
(1) Pittsburgh
(4) Xavier
(2) Duke
(3) Villanova
Sul
(1) North Carolina
(4) Gonzaga
(2) Oklahoma
(3) Syracuse
Até quinta-feira, quando começam as partidas que definem o Elite Eight, pretendo aparecer por aqui para dar meus palpites. No entanto, não posso garantir nada. Meu computador deverá precisar de uma reformatação e odeio lan houses. Além disso, tenho alguns compromissos ligados à minha formatura. Mas espero aparecer por aqui para não ficar apenas “em cima do muro” sobre os jogos.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Torneio da NCAA
Hoje, o Torneio da NCAA começa. Na verdade, já começou na terça-feira, quando a últimas das 64 vagas para o mata-mata foi definida: Morehouse State venceu Alabama State e garantiu a presença no "Grande Baile". Presença curta, pois deverá ser derrotado por Louisville, que é a melhor equipe geral dos emparelhamentos, na partida de amanhã.
Como são enxurradas de jogos, aqui estão todos os emparelhamentos, de todas as divisões. Os vencedores de cada chave participam do chamado "Final Four". Vamos lá:
Meio Oeste
(1) Louisville
(16) Morehouse State
(8) Ohio State
(9) Siena
(5) Utah
(12) Arizona
(4) Wake Forest
(13) Cleveland State
(6)West Virginia
(11) Dayton
(3) Kansas
(14) North Dakota State
(7) Boston College
(10) USC
(2) Michigan State
(15) Robert Morris
Oeste
(1) Connecticut
(16) Chattanooga
(8) BYU
(9) Texas A&M
(5) Purdue
(12) Northern Iowa
(4) Washington
(13) Mississippi State
(6) Marquette
(11) Utah State
(3) Missouri
(14) Cornell
(7) California
(10) Maryland
(2) Memphis
(15) Cal State-Northridge
Sul
(1) North Carolina
(16) Radford
(8) LSU
(9) Butler
(5) Illinois
(12) Western Kentucky
(4) Gonzaga
(13) Akron
(6) Arizona State
(11) Temple
(3) Syracuse
(14) Stephen F. Austin
(7) Clemson
(10) Michigan
(2) Oklahoma
(15) Morgan State
Leste
(1) Pittsburgh
(16) East Tennessee State
(8) Oklahoma State
(9) Tennessee
(5) Florida State
(12) Wisconsin
(4) Xavier
(13) Portland State
(6) UCLA
(11) VCU
(3) Villanova
(14) American
(7) Texas
(10) Minnesota
(2) Duke
(15) Binghamton
A cada final de fase, pretendo trazer novamente as chaves atualizadas e fazer comentários sobre alguns dos jogos, além dos torneios menores que também estão sendo disputados (como o NIT). No entanto, pretender não é poder. Espero que consiga!
Como são enxurradas de jogos, aqui estão todos os emparelhamentos, de todas as divisões. Os vencedores de cada chave participam do chamado "Final Four". Vamos lá:
Meio Oeste
(1) Louisville
(16) Morehouse State
(8) Ohio State
(9) Siena
(5) Utah
(12) Arizona
(4) Wake Forest
(13) Cleveland State
(6)West Virginia
(11) Dayton
(3) Kansas
(14) North Dakota State
(7) Boston College
(10) USC
(2) Michigan State
(15) Robert Morris
Oeste
(1) Connecticut
(16) Chattanooga
(8) BYU
(9) Texas A&M
(5) Purdue
(12) Northern Iowa
(4) Washington
(13) Mississippi State
(6) Marquette
(11) Utah State
(3) Missouri
(14) Cornell
(7) California
(10) Maryland
(2) Memphis
(15) Cal State-Northridge
Sul
(1) North Carolina
(16) Radford
(8) LSU
(9) Butler
(5) Illinois
(12) Western Kentucky
(4) Gonzaga
(13) Akron
(6) Arizona State
(11) Temple
(3) Syracuse
(14) Stephen F. Austin
(7) Clemson
(10) Michigan
(2) Oklahoma
(15) Morgan State
Leste
(1) Pittsburgh
(16) East Tennessee State
(8) Oklahoma State
(9) Tennessee
(5) Florida State
(12) Wisconsin
(4) Xavier
(13) Portland State
(6) UCLA
(11) VCU
(3) Villanova
(14) American
(7) Texas
(10) Minnesota
(2) Duke
(15) Binghamton
A cada final de fase, pretendo trazer novamente as chaves atualizadas e fazer comentários sobre alguns dos jogos, além dos torneios menores que também estão sendo disputados (como o NIT). No entanto, pretender não é poder. Espero que consiga!
terça-feira, 3 de março de 2009
Defesa
Defesa é algo essencial para qualquer time que pense em vencer um campeonato - não apenas da NBA, mas de qualquer disputa minimamente competitiva. E não é difícil entender o porquê. Uma marcação bem realizada, não raramente, se converte em contra-ataques e cestas fáceis. Ou seja, um trabalho de marcação eficiente facilita a ação ofensiva. No basquete, acima da maioria dos esportes, o melhor ataque é a defesa.
Há cerca de uma semana, em seu chat semanal no site Hoopsworld, o treinador universitário e analista Mike Moreau afirmou que defesa é muito mais comprometimento do que técnica. Algo aparentemente simples, mas brilhante, que só poderia ter vindo de alguém com a vivência do treinamento. Em contraponto ao aspecto ofensivo, querer defender é muito mais importante do que saber defender.
Duas situações bem diferentes me fizeram refletir sobre isso. A primeira foi um jogo de basquete com amigos. Em uma partida de 12 pontos, estava 10 a oito. Um dos jogadores da equipe que estava perdendo disse: "Vamos apertar a defesa, vamos marcar!". O time começou a defender como nunca anteriormente. Forçando um erro de arremesso e recuperando uma bola, viraram o placar e venceram por 12 a 10.
A outra situação foi a demissão do treinador Terry Porter, do Suns. Ele chegou em Phoenix com o objetivo de melhorar a defesa da equipe - estilo contrário ao do antigo técnico, Mike D'Antoni, que nunca foi um entusiasta da marcação. Com grandes jogadores no elenco, a franquia tinha o talento necessário para mudar de direção. No entanto, o que se viu foram atletas descontentes e pouco empenho. Porter pedia esforço defensivo e, em quadra, pareciam fazer questão de não obedecer. A demissão foi a única saída.
Há cerca de uma semana, em seu chat semanal no site Hoopsworld, o treinador universitário e analista Mike Moreau afirmou que defesa é muito mais comprometimento do que técnica. Algo aparentemente simples, mas brilhante, que só poderia ter vindo de alguém com a vivência do treinamento. Em contraponto ao aspecto ofensivo, querer defender é muito mais importante do que saber defender.
Duas situações bem diferentes me fizeram refletir sobre isso. A primeira foi um jogo de basquete com amigos. Em uma partida de 12 pontos, estava 10 a oito. Um dos jogadores da equipe que estava perdendo disse: "Vamos apertar a defesa, vamos marcar!". O time começou a defender como nunca anteriormente. Forçando um erro de arremesso e recuperando uma bola, viraram o placar e venceram por 12 a 10.
A outra situação foi a demissão do treinador Terry Porter, do Suns. Ele chegou em Phoenix com o objetivo de melhorar a defesa da equipe - estilo contrário ao do antigo técnico, Mike D'Antoni, que nunca foi um entusiasta da marcação. Com grandes jogadores no elenco, a franquia tinha o talento necessário para mudar de direção. No entanto, o que se viu foram atletas descontentes e pouco empenho. Porter pedia esforço defensivo e, em quadra, pareciam fazer questão de não obedecer. A demissão foi a única saída.
Moreau está certo: não adianta nada ter jogadores de qualidade e capazes, defesa é (acima de qualquer coisa) um compromisso. Trata-se de doação. Realmente, "querer defender" é muito mais importante do que "saber defender".
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